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Economia
21 de novembro de 2008 às 9:11
Juros impedem crescimento da economia
Como todos fora do Banco Central já suspeitavam, a política de juros altos não só agrava a concentração da renda, reduzindo a fatia dos salários na renda total do País, como tem impedido que a economia brasileira consiga “trilhar trajetórias de longo prazo mais consentâneas com as demandas sociais em termos de geração de emprego e de renda”, conclui estudo do economista Miguel Bruno, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).A verdadeira ditadura financeira instalada no País a partir de 1994 tem desviado parcela substancial da poupança (e dos lucros) de empresas e das famílias para aplicações financeiras diversas, já que se torna impossível para qualquer outro tipo de investimento produtivo competir com os juros estratosféricos pagos pelo governo. “Esse fato chega a um paroxismo na economia brasileira”, observa Bruno, “pois a renda dos juros no período 1993-2005 atingiu a média de 29% da renda disponível bruta”.
A participação dos salários na renda bruta total do País caiu de 35,7% em 1995 para 32,9% em 2000, apresentando tímida recuperação em 2006, quando assumiu uma parcela de 33,2%. Apenas para comparação, as despesas totais com juros na economia avançaram de 40,2% sobre a renda bruta em 2000 para 53,2% em 2006. Isso significa que os juros têm drenado recursos duplamente, reduzindo a renda e os lucros disponíveis para a realização de investimentos que poderiam consolidar uma tendência de crescimento de longo prazo.
O primeiro caminho tem sido aquele apontado pelo estudo de Miguel Bruno, popularmente conhecido como a boa e velha ciranda financeira. O segundo diz respeito aos recursos mobilizados por empresas e famílias para fazer frente ao custo de suas dívidas, agravado pela política de juros altos em vigor há praticamente duas décadas.
As mudanças estruturais ocorridas a partir dos anos 1990, expressas no processo de abertura e liberalização financeira e comercial do País, impuseram “um novo regime de crescimento” ao longo da década de 1996 a 2006. A parcela dos lucros no Produto Interno Bruto (PIB) avança, mas parte crescente desses resultados passa a ser direcionada para a ciranda financeira, agravando a concentração de riquezas. O resultado disso, prossegue Bruno, está na geração de “um regime de crescimento liderado pelas finanças e funcionando sob condições de elevada concentração de renda e do estoque de riqueza”. Ainda como reflexo desse modelo perverso de crescimento, o economista aponta a virtual estagnação dos setores considerados “bens-salário” desde 1991 - incluindo alimentos, vestuário e produtos não duráveis em geral. O que se tem, ao final, é uma “estrutura produtiva que ainda privilegia o consumo dos mais ricos em detrimento dos mais pobres”.
Fonte: Hoje
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