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21 de novembro de 2008 às 8:53

Cúpula unifica discurso

Os discursos do novo comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Carlos Antônio Elias, e do novo diretor-geral da Polícia Civil (PC), o delegado Aredes Correia Pires, que assumiram as chefias das corporações após uma crise de atribuições, se alinham até certo ponto. Defendem a integração dos dois comandos e o diálogo entre seus coordenadores no combate à criminalidade e “passado” é o termo empregado pelos dois quando o assunto é o atrito entre militares e civis; acreditam que o atual sistema de segurança pública no País é falido, e que mudanças devem ser feitas, mas sempre com discussão.Diretor e comandante revelam, em suas falas, a busca pela adequação no comportamento dos membros de cada uma das polícias, que, no fundo, é solucionar o impasse que culminou na queda do coronel Edson Costa Araújo e do delegado Marcos Martins da cúpula da segurança pública. Elias defende a polícia ostensiva que não só ocupa, mas que permanece nos espaços que livra da criminalidade; Pires, o fato de que a Polícia Civil deve se especializar cada vez mais para ser investigativa e de inteligência.

A convergência entre os dois discursos permanece até o ponto em que a reportagem do HOJE toca no assunto da “vaidade”, e como ela influencia o rompimento, em Goiás, da linha que define as atribuições de Polícia Militar e Polícia Civil. O caso específico citado aos dois entrevistados, em seus respectivos gabinetes, é o da prisão, no dia 17, dos dois homens apontados pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) como os responsáveis pelo latrocínio no qual foi morto o empresário Renato Pereira da Silva, 38. Um crime de comoção nacional, filmado pelo circuito de segurança do supermercado da vítima.

Elias admite a vaidade dos policiais militares no caso, mas acaba também revelando que a PM estava investigando o caso de perto e conseguiu prender os dois, para ele, em uma situação de flagrante. Porém, fato que foi a última gota no embate dos comandos das duas polícias, é justamente que o desvio de atribuições, a investigação criminal feita pelos militares, quase deixa escapar Cristiano Soares Mendanha, 30, responsável por escolher o Supermercado Mais Brasil para ser assaltado e por aguardar do lado de fora, em uma motocicleta, Felipe Abdon Teixeira, 21, o homem que matou Renato com dois tiros.

Havia mandado de prisão para os dois, mas os policiais militares que prenderam não tinham conhecimento disso. Cristiano foi detido por volta de 30 minutos depois de Felipe, após contato da PC com a PM. A confusão no caso do latrocínio no Mais Brasil acabou em discussão por telefone, em sistema viva-voz, entre os dois comandantes exonerados. Outra desavença entre Marcos Martins e Édson Costa teria acontecido no dia 4, em uma sala próxima ao auditório do Instituto Médico Legal (IML) que recebia missa de Ação de Graças em homenagem ao secretário Ernesto Roller.

O ex-comandante da PM coronel Edson Costa Araújo foi eleito, no dia 19 de junho deste ano, presidente do Conselho Nacional dos Comandantes Gerais das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares (CNCG PM/CB), entidade que defende em todo o Brasil mudança nas atribuições da PM, entre as quais a possibilidade de investigação, de confecção do registro do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e do Inquérito Policial, que hoje, em Goiás, são exclusividades da Polícia Civil.

A discussão é nacional, chegou à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, e membros da segurança pública acreditam que chegou à operacionalidade das polícias no Estado. Hoje, o TCO é feito pela PM, em delitos de menor potencial ofensivo, em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte. Elias admite que o debate, em esfera nacional, acabou chegando a Goiás e funcionou como uma interferência.

O novo diretor-geral da Polícia Civil acredita que a vaidade é, sim, um problema que não fica apenas na disputa de atribuições, mas também no interesse de divulgação na mídia das prisões e apreensões, como ocorreu no caso do Mais Brasil. Segundo Aredes Correia, as polícias serão reflexo de seus comandos, que não tem esse interesse vaidoso. A mudança na PM e na PC foi anunciada às 22h30 da quarta-feira.
“DIVERGÊNCIA NÃO É INSTITUCIONAL”, DIZ PM

O coronel Carlos Antônio Elias tem 27 anos de Polícia Militar. Ficou sete anos no comando da assessoria de comunicação da PM e, antes da mudança no comando, era o superintendente da Academias de Polícia da Secretaria de Segurança Pública. Ele afirma que as alterações nos comandos das unidades da PM no Estado serão mínimas. Elias diz que, antes de mudar, é preciso “validar” os comandados.

Segundo ele, a divergência entre PM e Polícia Civil não é institucional e que, para uma boa atuação das duas corporações, uma parceria efetiva, é necessária uma uniformidade de comportamento. Ele afirma que vai buscar uma PM permanente, sempre presente e próxima do cidadão, para que seja também menos bélica, para que precise cada vez menos reagir e disparar.

CRIME ORGANIZADO
O novo diretor-geral da Polícia Civil, Aredes Correia Pires, era delegado-chefe do Departamento de Polícia Judiciária, o segundo posto da PC em Goiás, e está na corporação há 28 anos. Assim como o novo comandante da PM, acredita que a lei que protege o usuário de drogas é um problema, já que eleva o consumo e acaba sendo usada por traficantes como uma proteção.

Segundo ele, as mudanças nas direções das delegacias serão mínimas, mas que, em breve, escolherá seu substituto. Fontes da Secretaria de Segurança Pública apontam como forte candidato Jerônimo Gonçalves Borges, atual responsável pela 3ª Delegacia Regional, em Anápolis. Ele afirma que vai direcionar recursos para a investigação dos crimes de homicídio, tráfico de drogas, e ao combate ao crime organizado, principalmente os investigados pelo Grupo Anti-Assalto a Banco (GAB) da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar).

Fonte: Hoje



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